domingo, 4 de outubro de 2009

Professores têm o menor salário entre profissionais de nível superior

Eu já sabia!
A notícia veiculada no jornal Folha de São Paulo , Ribeirão C9. 04 out. 2009, não foi novidade para mim e para tantos outros companheiros de profissão.
A mesma reportagem mostra que o quadro de desvalorização é grave em todo Brasil, mas se torna pior no estado de São Paulo que concedeu aumentos de apenas 9% entre 2003 e 2008, enquanto a média nacional foi de 18%.
Acho que eu já estou desistindo de gritar pela nossa classe, ando meio desanimado. Estou acreditando cada vez mais que a educação não é prioridade. Cansei de ouvir discursos nos inferiorizando intelectualmente e nos culpando por todas as mazelas da educação, só de vez em quando a mídia mostra-nos uma realidade que não está distorcida.
Ultimamente tudo virou culpa do professor, aprendizagem deficitária, violência nas escolas, o aluno indisciplinado e por aí vai. Pior que tudo isso são alguns amigos de profissão, muitos que se tornam coordenadores, diretores, professores que passam a atuar nas Diretorias de Ensino, etc. "Do lado de lá " incorporam um discurso hipócrita e insistem que é o correto. Acordemos já! Não vamos perder os dons do raciocínio próprio que é nossa única esperança. Contestemos tudo aquilo que sabemos que é ilógico e incondizente.
Todo tipo de profissional se mete a falar sobre educação, parece que são todos autorizados, quando não raro, uma pessoa de notável experiência acadêmica que nunca, ou pouco, entrou numa sala de aula da periferia vem com suas ideias sem lastro de experiência e dá maravilhosas opiniões não testadas, enquanto eu, você e milhares de companheiros somos a ponta de lança enfrentando o reflexo dos problemas sociais e os conhecendo os frutos das progressão continuada.
Paro por aqui. São coisas que já falei demais em minha vida. Fiquem com alguns dados e números, conformem-se ou reivindiquem.
Perfil dos dos professores de educação básica:
Quanto ao sexo.
86% feminino;
14% masculino.
Quanto à idade.
Até 29 anos, 16,5%;
De 30 a 37 anos, 25,1%;
De 38 a45 24,9%;
46 anos ou mais 23,6%.
Profissão essencialmente feminina, dominada pela faixa etária entre 30 e 37 anos. Cabe muita reflexão sobre esses dados, facam-nas.
Comparação de rendimentos com outras ocupações (em R$):
Médicos, 7.449;
Engenheiros civis, 4.919;
Dentistas, 4.123;
Professores de curso superior; 4.022;
Psicólogos e psicanalistas, 2.245;
Professores de ensino médio, 1.872;
Professores de educação física, 1.612;
Professores de 5ª a 8ª séries, 1.471;
Professores de educação infantil, 1.447;
Professores de 1ª a 4ª séries, 1.382.
Fonte: Folha de São Paulo. Ribeirão, C9, 04 out. 2009.
Discutindo esses dados.
Primeiramente notem que os professores de 1ª a 4ª séries são os que menos ganham. Loucura não! Até eu que tenho uma inteligência de média para baixa sei que essa etapa da educação é a primordial, um professor que pega uma criança na 5ª série e ela não está alfabetizada, dificilmente ele consegue alguma coisa com essa criança. São esses os profissionais que mais merecem repeito e reconhecimento, são a base da base. Todos esses profissionais que ganham mais que os professores passam pelas salas de aulas de 1ª a 4ª séries, e com certeza tiveram seus professores como reponsáveis, pelo menos em parte, pelo seu sucesso profissional.
Outro detalhe é a distinção entre professores de ensino fundamental ciclo II (5ª a 8ª séries) e de ensino médio, colocando este com uma pequena vantagem salarial. Analisem que é uma pesquisa nacional, no estado de São Paulo para um professor ganhar o que a pesquisa mostrou [1.872] ele tem que ter uns 15 anos de atuação e ainda ter aulas à noite.
Além dos mais, o salário base é bem menor que isso, 920 reais, o resto é um monte de gratificações e prêmios à estilo neoliberalismo que prega que o benefício é mais importante que o salário (só se for para o empregador).

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