domingo, 6 de dezembro de 2009

Aquecimento global - o discurso enfadonho.


As preocupações em torno do meio ambiente se intersificaram na década de 1970, quando começaram a percerber que se continuássemos lidando com o planeta de forma desordenada algo de grave poderia acontecer. Pelo menos na última década o assunto aquecimento global vem sendo pulverizado nos quatro cantos do mundo, desde a mais simples pessoas até os grandes acadêmicos estão tendo contato extenso com esse assunto.
Na condição de professor de geografia me enjoei de falar sobre isso, de ir a congressos, encontros e demais eventos sobre o assunto. Em linhas gerais o discurso é o mesmo: temos que economizar água, temos que deixar de poluir, temos que parar com o desmatamento...e por aí vai. A solução para tudo isso é a brilhante ideia de inovar com tecnologiais...digamos - ecologicamente corretas. Vez ou outra, um mais lúcido questiona o padrão de consumo. Esse sim, teria que ser o discurso principal e não secundário.
No caderno Folha Mais de 6 de dezembro de 2009, numa entrevista com Dominique Bourg, motivada pela ocorrência de mais uma conferência sobre o clima, a de Copenhague, notei algumas conclusões sérias por parte desse pesquisador. Não foram novidades. Eu, pobre mortal e professor de periferia, já havia percebido isso, mas não tenho reconhecimento e muito menos crédito para falar à folha. Essa lucidez não é exclusividade minha e nem se fundamenta na minha formação acadêmica. Qualquer pessoa poderia falar desde que não esteja com o rabo preso com uma instituição ou comprometido com algum discurso que tem que agradar alguém e que, obviamente, lesse um pouco sobre ciências da terra e economia.
Bom, o que Bourg nos fala é basicamente o seguinte: somente as novidades tecnológicas não serão capazes de promover mudanças significativas. É necessário que se mude os padrões de consumo, não podemos consumir como estamos consumindo e muito menos continuar usando os atuais meios de transporte.
Lúcido não! Todo discurso sobre meio ambiente deveria partir desse pondo, ou seja, como mudar nossos padrões de consumo. Se não partirmos daí o discurso fica enfadonho. Da aquela impressão de estarmos tentando moralizar os outros se ficarmos falando da forma com a qual ele deve proceder.
Agora, em como fazer para mudar os padrões de consumo é que reside o problema verdadeiro. Se isso não acontecer não haverá 40% de redução da emissões de carbono até 2020. Pode esquecer! Ou muda-se ou podemos começar a ficar curiosos para ver o que acontecerá.
A caro leitor que lê isso aqui, eu e milhões de pessoas pelo mundo que consegue usar a internet, consumir umas babaquices e andar de carro não estamos muito interessados em deixar tudo e voltar para a idade média. E então? Que fazer? Eu não sei.

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