quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Geografia Econômica do Brasil. Série Geografia do Brasil V

Essa série de posts visa contribuir com alunos que estão cursando principalmente o segundo ano do ensino médio, não que o assunto não seja útil a outros anos, mas o que vocês verão aqui é o resultado de um material que foi preparado como breves notas de aulas para um determinado segundo colegial.Como sempre, alerto meus alunos, não se trata de nada acabado, são apenas notas que lhes direcionarão para pesquisas mais abrangentes.A referência bibliográfica estará disponível num elemento de página na barra lateral do vídeo.

Boa leitura!

Aspectos econômicos.
De forma geral, entendem-se como aspectos econômicos tudo aquilo que pode produzir riqueza. Como indústrias, agropecuária, extrativismo, serviços e turismo.
Como vimos resumidamente no início desse trabalho, o Brasil passou por várias transformações que modificaram a estrutura econômica. Durante o período colonial ( 1500-1822) a economia era praticamente subordinada aos interesses de Portugal. Situação que não passou por grandes alterações nas primeiras décadas da independência.
O processo de independência no Brasil não causou mudanças estruturais, uma diferença básica é que os interesses da elite brasileira começaram a ser atendidos no próprio Brasil.
No século XIX, o Brasil era um “arquipélago econômico” com ligações internas pouco eficientes. Borracha no norte; cana-de-açúcar, cacau e algodão no nordeste; a pecuária relativamente espalhada pelo território com perceptíveis concentrações no nordeste, no centro-oeste e no sul; fumo na região sul e o café no sudeste.
Da independência até a revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder, o Brasil era um país agroexportador, com pequenos resquícios de industrialização isolados. A agricultura foi a prática que mais contribui com o desenvolvimento econômico dessa época, com especial destaque para o café.
O café tornou-se o principal produto de exportação do Brasil. Projetou o país no comércio mundial e gerou muita riqueza, ainda que concentrada. A região sudeste foi a grande produtora de café, o planalto ocidental paulista era a região que mais produzia café no mundo.
O estado de São Paulo foi o que mais se beneficiou da cafeicultura. Os empresários, de modo geral, usaram o acúmulo de capital da agricultura cafeeira para promover a industrialização, a cafeicultura também colaborou com a implantação de uma significativa infraestrutura ferroviária e portuária. Com a crise do café os empresários e aqueles que conseguiram acumular dinheiro se beneficiaram da infraestrutura, do capital que possuíam e da mão-de-obra. Estavam lançados os primórdios de uma industrialização mais efetiva.


A industrialização.
Com a revolução de 1930, o Estado brasileiro lançou o modelo de substituição de importação no qual o governo investiu na infraestrutura necessária para atrair empresas com construção de rodovias, usinas hidrelétricas, siderurgia, petrolífera, etc. Diminui impostos de máquinas e equipamentos, dentre outras medidas. Dessa forma, o Brasil começou a atrair investimentos estrangeiros e por volta de 1950-70 a país se era considerado industrializado.
Atualmente o Brasil é o país mais industrializado da América Latina, mas ainda continua sendo um grande agroexportador. A industrialização concentra-se na região sudeste, que por sua vez exerceu (e exerce) influência e polariza outras regiões do Brasil.
O sudeste sendo o grande destaque industrial no Brasil, principalmente nos seus eixos Anchieta-Imigrantes (ABCD paulista), via Dutra entre Rio de Janeiro e São Paulo e via Anhanguera se projetando para cidades como Campinas e Ribeirão Preto. Esses eixos projetam, dentro do sudeste, o estado de São Paulo, o mais industrializado do país.
Depois do sudeste a região sul é a mais industrializada, destacando-se Porto Alegre, São Leopoldo e Caxias do Sul no Rio Grande do Sul; Joinville, Blumenau e Itajaí em Santa Catarina e a região de Curitiba no Paraná. O nordeste figura no Brasil como a terceira região mais industrializada, destacando-se a região do recôncavo baiano, Recife e Fortaleza. A região norte e o centro-oeste possuem uma industrialização pouco significativa, com sutil destaque para a zona franca de Manaus.


A agropecuária.
Apesar de ser um país industrializado o Brasil é um dos maiores agroexportadores do mundo.
Em 1950, as práticas agropecuárias representavam em torno de 25% do PIB, em 2003 essa participação caiu para 10%. O processo de modernização da agropecuária brasileira subordinou-a as necessidades do capital urbano-industrial. Mesmo com essa diminuição na participação do PIB a importância dessas práticas não diminuiu.
Esses 10% do PIB que a agropecuária representa, dinamiza sobremaneira as cadeias produtivas. Movimentam as operações financeiras através de empréstimos bancários, fábricas de adubos, maquinários, transportes, mão-de-obra entre outros. Formando assim um complexo de atividades interligadas com as práticas agrícolas de suma importância para a economia como um todo.
9Semelhante à industrialização as práticas agropecuárias não possuem as mesmas características em toda parte do Brasil. O Centro-Sul apresenta uma maior concentração de mecanização com uso de tecnologias que fazem da região a mais produtiva do Brasil.
Nove estados do Brasil são responsáveis por 85% do valor da produção das lavouras agrícolas. Com exceção da Bahia esses estados se concentram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.


Estados com maior participação na produção agrícola brasileira. (em %)

São Paulo - 19,9. Sudeste;

Demais estados - 14,4;

Rio Grande do Sul - 13,1;

Paraná - 12,5;

Minas Gerais - 10,2;

Mato Grosso - 8,6;

Bahia - 8,1;

Goiás - 6,6;

Santa Catarina - 3,7;

Mato Grosso do Sul - 3,0;


Adaptado de: (MAGNOLI, Demétrio; ARAUJO, Regina, 2005.p.228)


Nota-se, claramente o destaque de São Paulo no conjunto dos estados que mais produzem no Brasil. Dentre os principais produtos agropecuários que o Brasil exporta temos: soja, carnes, café, açúcar, fumo e suco de laranja.
Estudar detalhadamente o campo brasileiro é um processo longo e árduo. De modo geral, devido às características desse trabalho, evidencia-se uma grande concentração de terras no Brasil. Em torno de 3 milhões de camponeses ocupam 10 milhões de ha de terras e em torno de 50 mil latifundiários ficam com 164 milhões de ha. Além disso, as propriedades com menos 100 ha, que ocupam cerca de 21% da área agricultável do Brasil, produzem em torno de 49% do valor de produção agropecuária, mais que as grandes e médias propriedades (com mais de 100 ha), que ocupam 35% da área agricultável e produzem 35%. (ROSS, Jurandyr L. Sanches, 1998.p.487-507).
A expansão da agropecuária vem causando muitos problemas ambientais no Brasil. Vemos, não raro, discussões polêmicas que envolvem de um lado ambientalistas e de outros grandes produtores rurais.
A cana-de-açúcar no estado de São Paulo, a soja no Centro-Oeste e a pecuária no Norte são as práticas que mais vem agravando os problemas ambientais. O capital muitas vezes exerce pressão sobre o meio ambiente que sofre desgaste de solo, contaminação de lençóis freáticos e cursos d’água por fertilizantes, desmatamento na Amazônia, mudanças no ciclo natural da fauna e da flora, além de outros problemas ainda não detectados ou não divulgados.


O Brasil na economia mundo.
Principalmente a partir da última década o Brasil vem se destacando economicamente e politicamente no cenário mundial. Seu PIB está entre os 10 maiores do mundo, possui bom desempenho nas suas exportações, seus produtos industrializados estão presentes em vários países e possui tecnologia de média a alta.
A decisão das grandes nações do mundo, para serem tomadas, já se leva em conta o Brasil, que possa a encabeçar e integrar definitivamente o chamado G 20, as vinte maiores economias do mundo.
Mais que os aspectos de âmbito econômico mundial o Brasil possui boas perspectivas para o futuro. Devido, entre outros fatores a sua extensão territorial, aos recursos minerais, a consolidação do estado de direito e o desenvolvimento tecnológico. Ou seja, há possibilidades do Brasil crescer economicamente e participar de forma mais ativa da economia mundial.
Apesar de todas essas características positivas o país tem muita coisa para resolver internamente, ainda há muitos contrastes. O Brasil ainda é muito desigual, má distribuição de renda, educação de baixa qualidade, sistema de saúde precário e pouca qualificação de trabalhadores figuram entre os principais problemas para serem resolvidos para que o país se enquadre de maneira mais coerente no ranking das grandes nações.


Série Geografia do Brasil IV. Aspectos da Geografia Humano do Brasil.

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