domingo, 28 de fevereiro de 2010

Largo São Bento - alterações de paisagens e história.

Largo São Bento. Crédito da imagem: Imageshack.
A paisagem é uma das categorias mais importantes na Geografia, um conceito chave muito essencial. Refere-se a tudo aquilo que nossa vista alcança, possui caráter social, pois que o ser humano a transforma conforme suas necessidades. Acumula tempos desiguais, em uma mesma paisagem é possível notarmos prédios que remontam a uma época histórica onde gostos, costumes e estilos eram diversos dos atuais ao lado de construções modernas que refletem o mundo contemporâneo.
A paisagem também tem a característica de possuir elementos naturais, aqueles que não dependeram do homem para existir e elementos sociais (ou humanos) concebidos pelo ser humano nas suas atuações na natureza.
Para Ruy Moreira a Geografia "fala por meio da categoria paisagem" visto que relaciona imagens sendo assim o "ponto de partida e o ponto de chegada na produção da representação em geografia."
A paisagem permite leituras porque podemos acompanhar suas mudanças é uma imagem que fala, capaz de nos transmitir informações permitindo endender, em grande parte, a organização do espaço.
Quanto ao largo São Bento em São Paulo, sua história é tão antiga quanto a história da própria cidade, chegou a ser o local onde o Cacique Tibiriça, sogro de João Ramalho, instalou sua tenda.
As alterações em sua paisagem nos possibilitam entender parte do desenvolvimento da cidade de São Paulo, que passou por um grande crescimento a partir do final do século XIX e início do século XX.
Acompanhem a história do Largo São Bento pelo site SampaArt:
"O Largo São Bento tem sua história diretamente ligada à história da cidade: ali estava instalada a taba do cacique Tibiriçá, que demarcava o limite do povoado que começava a se formar. A localização era estratégica: Tibiriçá, sogro de João Ramalho, cuidava da segurança daqueles amigos do genro que acabavam de chegar.
A taba deu lugar a um largo, onde, em 1.598, foi construída uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Montserrat. Durou pouco: em 1.600 começava a instalação do Mosteiro de São Bento, aproveitando a vasta área pertencente aos beneditinos - toda a extensão da Florêncio de Abreu e a
avenida São João, chegando até à rua Anhangabaú.
A igreja ganhou o nome de Nossa Senhora da Assunção - e este é o nome dela até hoje, embora seja mais conhecida como a Igreja de São Bento. Em 1.650, Fernão Dias, o "descobridor das esmeraldas", doou grande soma para reforma e ampliação do mosteiro - por isso seus restos mortais foram enterrados ali. Segundo o historiador Afonso de Taunay, na reforma realizada no mosteiro, em 1.914, foram encontrados "tecido do hábito com que foi enterrado, melenas ruivas, uma tíbia enorme e sua funda de ferro".
Em 1.864, o largo ganhou um chafariz projetado por um jardineiro francês, Fourchon, responsável também por um jardim cercado por grades, conforme os modelos europeus, com grama e árvores. A reurbanização tem um motivo forte: os dois maiores hotéis da cidade - o D'Oeste e o Miragliano estão instalados no largo e o movimento de pessoas era intenso. Jardim e chafariz desaparecem em 1.910, junto com o velho mosteiro e a igreja, para dar lugar a uma construção maior, projetada pelo alemão Richard Berndl. Os grandes prédios em torno da praça começam a aparecer a partir de 1.935.
A última transformação do largo São Bento veio com o
metrô, durante a década de 70. O local foi transformado em canteiro de obras, cercado por tapumes, casas comerciais tiveram de ser desativadas. Durante algum tempo, foi um local evitado, devido às dificuldades de locomoção.
As pessoas voltaram com o término da linha do metrô e o largo ganhou um calçadão, bancos, jardins. No ano passado, com a comemoração dos 400 anos, foi reformado. Hoje o largo São Bento recebe diariamente cerca de 80 mil pessoas."
(SampaArt.)
Notem nas fotos abaixo as alterações na paisagem em quatro momentos históricos: 1887, 1892, 1920 e 2008. O que mais impressiona são as significativas mudanças ocorritos no decorrer de apenas cinco anos, entre 1887 e 1892, sinceramente não dá para imaginar a construção de tantos prédios em um tempo tão curto.
Obs.: clicando nas fotos elas se ampliarão.

Referências:
MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em Geografia:ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço. São Paulo: Contexto, 2007.
Brasil, Ministério de Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológia. Parâmetos curriculare nacionais: ensino médio. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Brasília: Ministério da Educação, 1999. pp. 309-316.
Créditos das fotos do largo São Bento:
1887-Militão Augusto de Azevedo, 1892 -Marc Ferrez, 1920 - Guilherme Gaensly, 2008 -Fernando Favoretto.
Fonte das imagens:
São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Caderno do professor: geografia, ensino fundamental.56ª série, vol. 1. Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini equipe, Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo, Sérgio Adas. São Paulo: SEE, 2009.

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