sábado, 20 de março de 2010

A melhora da educação. A quem interessa?

Crédito da imagem: Prof. Ms. Arnaldo Martinez.
Artigo de opinião. Por: Alexandre de Freitas.

Acredito que o termo melhor possui uma certa ambiguidade. Fico muito assustado quando o governo de São Paulo diz em melhora da educação. Se pensarmos em melhor como comparativo de bom, aí então necessariamente temos que comparar, a afirmação do governo soa até engraça, tipo...uma auto-ironia (se é que existe isso).
Interessante e já há muita coisa escrita nesse sentido, é que as estatísticas não refletem a realidade plenamente. Muitas delas mostram apenas o quadro geral. Superação de metas, à moda neoliberal, idem. Visto que a educação é um processo longo que reflete no futuro.
E mesmo assim, quando as estatísticas são forjadas para melhor, apresentam uma grande defasagem em comparação com os padrões mundiais.
Em qualquer aula mediana de didática sabemos que é importante focarmos um objetivo em uma aula, e um curso, em um programa curricular, etc. Se pensarmos na educação como um facilitador para que o aluno tenha acesso à cidadania, a educação de São Paulo é ridícula.
Isso não é somente constatado em estatísticas (mesmo forjadas) mas é evidenciado por quem está na sala de aula. Que, diga-se em alto e bom som, são os que mais podem manifestar análises e percepções sérias sobre a educação. Alunos em terceiro ano de ensino médio incapazes de entender um texto simples, incapazes de fazer generalizações básicas, sem o mínimo domínio da língua portuguesa, sem calcular equações elementares, etc.
A culpa não pode ser (e não é) somente dos professores. Em primeiro lugar é toda uma sociedade em crise de conhecimento, depois um aparato legal que chamam de sistema de ensino (não sei se o termo sistema pode ser aplicado em algo tão irregular), o fator família, a falta de interesse do aluno por não vislumbrar horizontes mais promissores e por aí vai. Não podemos, nós, professores, carregarmos a culpa de todos esses fatores nas costas. Eu refuto veemente essa ideia.
Mas voltando o termo melhor, poderíamos pensar: a educação está melhor para quem? Se eu tivesse uma escola particular a educação de São Paulo estaria melhor para mim, pois que ela colaboraria para atrair mais alunos para minha escola. Se eu fosse um empresário com uma mentalidade de Brasil colônia, eu também poderia me beneficiar da educação, porque haveria uma oferta grande de desempregados por falta de qualificação e eu poderia pagar menores salários (se meu ramo não exigisse qualificação).
Então, se pensarmos assim, talvez a educação de São Paulo esteja melhor. No entanto, se pensarmos na formação cidadã dos alunos, ela é uma das maiores tragédias que vem vendo praticada na história desse país. Tragédia que nos atrasará em anos no desenvolvimento tão desejado.
Finalizando, gostaria de lembrar que há muita vaga na escola pública paulista, em especial nas escolas de periferia. Quem acha que a educação está indo bem, o convite está aberto para matricular seus filhos nessas escolas. Senhores empresários, políticos (em especial os que defendem e sustentam a todo custo que a educação está melhor), pessoas que ocucam altos cargos na sociedade; imploro a vocês - matriculem seus filhos na escola pública - deixem de gastar com a escola particular. Vocês colherão frutos intragáveis ao verem seus filhos concluindo o ensino médio.

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