domingo, 13 de junho de 2010

A educação no estado de São Paulo e a progressão continuada.

Imagem: Maggie Smith.
O que a grande maioria dos professores sabe e a sociedade já vem percebendo há algum tempo o governo, ao que parece, recusa-se a perceber. Trata-se da progressão continuada. Ela não deu certo. E dificilmente dará.
O Grupo RAC que inclui jornais como a Gazeta de Ribeirão, Gazeta de Piracicaba e o Correio Popular de Campinas realizou uma interessante reportagem sobre o tema. Modéstia à parte, eu poderia, além de confirmar, incluir algumas observações e conclusões.
Em linhas gerais, a reportagem nos mostra que muitos alunos gostam de estudar e querem aprender, mas o sistema que inclui "todos", os querem e que não querem estudar, provoca a exclusão daqueles que querem estudar. Alunos que tentam aprender e até procuram o professor para um atendimento saem sempre prejudicados, as brigas, as discussões, a algazarra generalizada e a impotência do professor perante tudo isso os desanimam. Os alunos passam para a série seguinte sem saber ler e escrever.
A reportagem também cita especialistas lúcidos, que não têm rabo preso com a política do governo. "A coordenadora de curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp, Maria Márcia Sigrista Malavasi, afirma que nenhum professor é a favor da reprovação de aluno, mas a aprovação automática, independetnee do conhecimento do estudante, é um aspecto negativo no ensino do Estado."
Finalizando a reportagem, há uma entrevista com senhor Paulo Renato, secretário de educação de São Paulo. Lê-se destacadamente em grandes letras na reportagem que ele [o secretário] diz: "Ninguém entende o sistema, diz secretário." Será que ele é o único a entender? Ele tenta explicar, reconhece erros. Mas, não aponta soluções satisfatórias.
Apoiadores da progressão continuada têm um discurso muito conhecido. O fundamento, o norte, sempre faz com que a culpa caia nos professores. Uma estupidez assustadora! Ouvir: você têm que fazer o aluno se interessar, você têm que dominar a classe, você tem que recuperar o aluno, você é totalmente responsável pelo pouco rendimento; soa até como uma esquizofrenia (psicose caracterizada por uma discordância entre o pensamento , a vida emocional e a relação como o mundo exterior) ou seja, uma perda de contato com a realidade. Pois que ninguém realiza um trabalho sem ter as condições necessárias. Um professor é apenas uma parte do sistema que é formado pela própria vivência do aluno (família, condições psicológica, interesse, etc), estrutura legal da educação, direção, coordenação, etc. Só, o professor não consegue.
A fórmula mágica para a melhoria do ensino não é tarefa fácil. Uma realidade tem que ser dita: continuar como está é que não pode. A sociedade pagará um preço alto por isso. Um país que menospreza a educação, o maior bem que um ser humano pode ter, não pode ser considerado sério.

Referência:
Gazeta de Ribeirão. Cidades. p. 4. 13 junho de 2010.

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