sábado, 21 de agosto de 2010

Racismo e preconceito: uma análise sobre a questão do índio e do negro no Brasil.



Um pequeno ensaio sobre a questão racial no Brasil.
O Brasil é um país que pode ser chamado de multiétnico, para cá vieram vários povos que se miscigenaram com os que aqui já existiam formando o povo brasileiro. Dois desses povos sofreram (e sofrem) mais que outros com as questões raciais - o negro e o indígena.
Lidando com conceitos.
Para fins desse post, a questão racial aqui é entendida como os estranhamentos causados por diferenças físicas com reflexo em outras instância com a moral e a econômica. Mas para isso devemos analisar dois conceitos: racismo - teoria que afirma a superioridade de certas raças humanas sobre outras; preconceito - 1. manifestação hostil ou despreso contra indivíduos ou povos de outras raças, 2. opinião ou sentimento desfavorável concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão.
Esses dois conceitos, muito usados, vêm carregados de alguns equívocos. Primeiramente o termo raça humana soa estranho, visto que há apenas uma raça humana, depois concordo com Conceição Lourenço quando essa afirma que o termo xenofobia (hostilidade sistemática a pessoa estrangeira) seria mais adequado para tratar a questão racial. De todo modo, aqui lidaremos com a palavra racismo, mais corriqueira nos escritos que tratam do tema proposto.
A questão racial no Brasil coincide com o momento onde as pessoas passaram a ser subjugadas pela cor da pele, isso começou a acontecer por volta do século XV. Nessa época de grandes navegações os europeus começaram a ter contato com povos diferenntes e passaram a desprezá-los e supor-se como mais evoluídos e superiores. Será que eram mesmo?
Dizer que o europeu é belicoso, que a cultura europeia ganhou o mundo parece análises parciais. A Europa usou invenções e conquistas de muitos povos do oriente na sua formação cultural. Mas por que eles se consideraram superiores?
Desde de Roma antiga (suporta exceções) os vencedores se consideravam superiores, subjugavam e lidavam com os conquistados como sendo estes os inferiores. É assim que chegam ao Brasil. Subjugaram o índio, trouxeram o negro e passaram a considerá-los inferiores. Uma criação sem fundamento. A cultura negra e indígena, que ainda se mantêm mescladas à sociedade brasileira apresentam elementos da mais alta considerações sociológicas, medicinais e científicas. A forma com a qual o indígena lida com a natureza, os laços de amizade das famílias africanas e suas curas; dentre tantas coisas que daria um post só para essas análises. Crenças, técnicas e procedimentos que hoje chamam a atenção de renomados cientistas. Formas de lidar com a natureza que seriam capazes de não agredir o planeta. Enquando a cultura superior europeia tem uma vocação para o desastre e a aniquilação.
Grosso modo, foi a subjugação a qual esses povos foram submetidos que os colocaram em situação de sofrerem preconceito e racismo. No Brasil, criou-se um padrão. A pessoa tem que ser branca, católica e heterossexual. Parafraseando Conceição Loureço, religião e sexualidade podemos omitir, mas a cor e demais traços físicos que mostram nossa origem negra ou indígena não tem como.
Existe preconceito e racismo no Brasil?
A resposta é simplesmente sim. Pela região onde vivo (sudeste) noto mais com os negros, mas pelo que já li e através de fontes midiáticas percebo que o índio não está numa situação confortável. Os verdadeiros donos da terra estão cada vez mais sendo alijados do Brasil.
Quanto ao negro, um pouco de atenção nos revela expressões e formas de agir que denunciam o racismo. Primeiramente muitos escondem ter preconceito e ser racistas por conveniência social. Posicionar-se nesse sentido é complicado. Quem assumiria em público ser racista? Creio que ninguém. A não ser num círculo fechado de amigos ou parentes que compartilham das mesmas opiniões.
Por que isso acontece? Seria a criação familiar? Ou simplesmente os motivos que já expomos. Ou seja, o negro e o índio são inferiores pois foram conquistados? O que faz uma pessoa tratar bem um negro e depois longe de sua presença hostilizá-lo? São questões que, acredito, estão longe de serem resolvidas.
Quem sabe as experiência individuais possam ser a saída para uma ação afirmativa concreta em prol a igualdade. Na minha infância, como sempre falo, vivia no meio da "negrada". Mas como eu me posicionava? Não sou branco, também não sou negro. O que sou? Brasileiro. E a sociedade me convencia bem de que não havia racismo. Tive que me tornar adulto e me classificar como pardo para entender melhor. Só foi aí que percebi frases que já havia ouvido várias vezes mas precisei lê-las em livros para percebê-las melhor. Coisas do tipo: roupas da cor da pele (que tipo de pele? Branca, bege, negra, morena), negro gente boa (se fosse branco dispensaria o adjetivo), moreninho, escurinho, etc. Entendi também, que não existem brancos ou negro superiores moralmente e que a condição social aflinge qualquer cor de pele, qualquer etnia. Uma análise mais profunda diz-me que um branco não deve se posicionar superior a um negro seja lá por qual motivo for. E também, não é legal um negro que galgou alto posto na sociedade humilhar um branco menos favorecido.
Finalizando, esse é um problema com o qual o Brasil convive e terá que resolver. A inteligência nos mostra que uma ação afirmativa na busca de uma igualdade racial vai além de sermos socialmente corretos, ela representa um mundo melhor para todos.
Referências:
LOURENÇO, Conceição. Racismo: a verdade dói: encare. São Paulo: Terceiro Nome, 2006.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Somos as águas puras. Campinas: Papirus, 1994.
KOSHIBA, Luiz. O índio e a conquista portuguesa. São Paulo: Atual, 1994.

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