segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tragédia no Rio de Janeiro. Não culpem os mares de morros.

Artigo de opinião: Alexandre de Freitas.
O domínio tropical atlântico do Brasil  estende-se do nordeste até o sul do país, margeando o oceano Atlântico. Nesta extensão do relevo brasileiro se desenvolve o que podemos chamar de matas atlânticas, originalmente possuiam em torno de 1 milhão Km², hoje muito devastadas para dar lugar à plantações, cidades e indústrias.
A complexidade desse domínmio é pouco levada em conta pelas autoridades e pela população brasileira em geral.  Os mares de morros é a parte mais ao sudeste desse domínio tropical atlântico, sua área "core" (principal) é justamente as regiões serranas do sudeste. Envolvendo partes dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Sul de Minas e  Espírito Santo. Uma área com morros mamelonados muito desgastados com cumes muitas vezes arredondados que podem atingir até 1800 m, cursos d´água perenes que descem os morros correndo sobre rochas cristalinas e uma pluviosidade que pode chegar a 2000 mm anuais (já houve caso de 3500 mmm). 
Todo  esse contexto natural deixa a área com um sutil equilíbrio entre os processos que envolvem clima, solo, vegetação, hidrologia, etc. Entender esses processos é essencial para fazer intervensões urbanas nos mares de morros. Azir Ab'Sáber já nos alertava ao dizer que o domínio de mares de morros é o meio físico mais complexo do país para se fazer construçãoes e ações humanas. Temos que entender que natural é o morro vir a baixo, os rios transbordarem, o solo ceder, etc. Até mesmo sem as construções isso ocorre. As construções e demais obras irregulares   apenas maximizaram os eventos catastróficos.
A tragédia que chamou a atenção do mundo não tem nada de natural. Foi uma ocupação irresponsável de um seguimento do relevo que, o melhor que se tem a fazer, é não ocupá-lo. Houve sim descaso. Há estudiosos no país capazes de interferir em opucações nessas área e poupar vidas. Mas, como sempre, o lucro e o capital falaram mais alto.
Lucrou-se com a construção daquelas residências, hotéis, cidades, etc. A tragédia deu prejuízos, contudo (temos que falar a verdade) virá a reconstrução e mais gente lucrará com isso.
Chamo esses ocorridos, do alto de minha suposta ignorância, de mentalidade retrógada do capital e do lucro. Ode à Astrália, Portugal e Espanha, países em que houve mais chuvas do que no Brasil e muito menos gente morreram. Neles, diga-se para esclarecimento, o relevo colaborou. Só que a maior de todas as contribuições foi social, mensagens em celulares, telegramas e defesa civil avisaram para que os moradores se retirassem. Pessoas normalmente mais estudadas e politizadas. Obedeceram.  Resultado. Menos mortos.
Temos que parar de culpar a natureza e respeitá-la. Vamos lucrar mais quando não sobrepormos o dinheiro e o lucro por cima das condições naturais. A natureza é implacável, inexorável. E nós, somos um bicho da Terra tão pequeno.        

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