sábado, 2 de abril de 2011

Informação e conhecimento, as respostas que a internet dá.

Artigo de opinão.
Prof. Alexandre de Freitas.
O jornal Folha de São Paulo* noticiou que existem muitos sites e comunidades em redes sociais que disponibilizam as respostas das atividades das apostilas dos alunos do Estado de São Paulo. A mesma reportagem ouviu o secretário adjunto da educação do estado, que minimizou o fato, sabiamente, dizendo que o material usado é de apoio, e publicou o comentário de um professor de português, que notou que suas tarefas estavam vindo “certas”, indicaram como “problema” a padronização do da apostila para em todo estado. Mas no tocaram no assunto principal e atual – a diferença entre informação e conhecimento.
Para começar aquelas respostinhas acabadas das apostilas (há muitas) não condizem com a verdadeira aprendizagem. Especialmente quando se fala em ciências humanas, não excluindo as demais áreas, é claro. Informação, até mesmo das respostas corretas, não significa aprendizagem e muito menos conhecimento. Simples é o professor que considera apenas às questões das apostilas em suas avaliações, oportunista é quem disponibiliza essas questões na internet, vão ganhar muitos acessos e existe uma estratégia qualquer por trás disso.
Ter acesso à informação é apenas a primeira parte do processo. Cansei de tentar falar isso para meus alunos. Eu mesmo disponibilizo muitas informações e peço, em bom som, para que acessem. Às vezes eu complemento o conteúdo da apostila, em outras ocasiões e supro a falta de apostilas que sempre ocorre em alguma classe, comparo a apostila com outros livros, não dou a resposta porque as vejo com uma parte suplementar do processo. As respostas que espero dos alunos são produtos de discussões nas salas (quando a classe participa) e não aquelas da apostila muitas vezes em azul e itálico, prontinhas e arrumadinhas.
Resumindo e insistindo, aproveito a oportunidade para falar que o acesso à informação é apenas a primeira etapa da aprendizagem, depois temos que analisá-la, processá-la, compará-la com outras fontes e só assim chegarmos a uma conclusão nossa. O conhecimento mesmo virá apenas quando conseguirmos mudar alguma coisa com base naquilo que aprendemos, tarefa difícil e muitas vezes não constatada.
Para a vida não há repostas acabadas, copiar ou publicar respostas é uma atitude tão mecânica e repetitiva que chega a ser monótona. Legal é questionar as informações, discordar, desmontar os conceitos e remontá-los, emitirmos opiniões, errarmos, aprendermos tudo isso faz parte do processo de aprendizagem. Não são respostas prontas que abalarão a qualidade do ensino.
*Folha de São Paulo, Ribeirão C-6, 2 abril 2011.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Não encontrou o que queria? Pesquise na web.

Pesquisa personalizada