quarta-feira, 9 de julho de 2014

Geografia: países insulares da África, Madagascar.

Pioneiro da luta pela independência das Antilhas, o Haiti foi a segunda colônia da América, depois dos Estados Unidos, a separar-se de sua metrópole, a França. O nome vem da palavra indígena ahiti, "terra alta ou montanhosa".
O Haiti localiza-se na parte ocidental da ilha de São Domingos, ou Hispaniola, no arquipélago das Grandes Antilhas. Com uma superfície de 27.700km2, o país ocupa um terço da ilha, em cuja parte oriental se localiza a República Dominicana. É banhado ao norte pelo oceano Atlântico e ao sul e oeste pelo mar do Caribe.
O território haitiano compreende basicamente duas penínsulas, uma ao norte e outra ao sul, que se unem pelo vale do rio Artibonite e formam o golfo de Gonâve. De modo geral o terreno é montanhoso e cerca de dois quintos da área total têm altitude superior a 490m. O principal sistema montanhoso, o Massif du Nord, com altitude média de 1.200m, segue para leste em direção à República Dominicana, onde é chamado também de cordilheira Central. O monte La Selle, no sudeste, é o ponto culminante do país, com 2.674m. As serras se alternam com planícies férteis, mas excessivamente populosas, as maiores das quais são a Plaine du Nord, com 390km2, e o Cul-de-Sac, que divide o país em duas regiões e onde está localizada a capital.
Há diversas ilhas no litoral haitiano, entre elas a de Gonâve, no golfo do mesmo nome; Tortuga, refúgio de piratas franceses no século XVII, no Atlântico; a Grande Cayemite e a de la Vache.
O terreno montanhoso e a proximidade do mar modificam o clima tropical úmido. As temperaturas, altas no litoral e mais baixas nas montanhas, variam pouco, com médias de 24o C em janeiro-fevereiro e 28o C em julho-agosto. Os índices pluviométricos variam de 500mm anuais no noroeste a 2.500mm nas montanhas. De agosto a novembro podem ocorrer furacões.
Os rios são curtos e torrenciais. O maior é o Artibonite que, com 322km de extensão, banha quase um terço do país e desemboca no golfo de Gonâve. Outros rios importantes são o Guavamouc, o Libon, o Trois Rivières e o Estere. Os principais lagos são o Saumâtre, no sudeste, e o Miragoâne na península do sul.
Na vegetação original do Haiti abundavam árvores como o pinheiro, a palmeira-real, o cedro-antilhano, o carvalho-do-haiti, o pau-brasil, o mogno e a paineira. A exportação intensiva de madeira e a necessidade de terreno cultivável levaram ao desmatamento e à quase total extinção das árvores. O mogno e o pinho sobrevivem em reservas florestais. As savanas ocupam amplas áreas, e os manguezais surgem com freqüência no litoral. Há muitas plantas e frutas tropicais ou subtropicais, como coco, abacate, manga, lima e laranja.
A fauna se compõe de animais de pequeno porte, com algumas espécies de roedores e um grande número de insetos e répteis: lagartos e iguanas são os mais comuns.
Quase todos os haitianos são negros descendentes dos 480.000 escravos que em 1804 conquistaram a independência. Os mulatos constituem cerca de cinco por cento da população, e os brancos formam uma minoria bem menor.
O idioma oficial é o francês, mas a língua geralmente falada pela população é o créole, dialeto do francês que incorpora palavras africanas. Legalizado em 1969, o créole não é ensinado oficialmente nas escolas mas pode ser usado nos tribunais e na Assembléia Nacional.
A maior parte da população é rural, e no campo as condições de vida são relativamente mais fáceis do que nas cidades superpovoadas. A taxa de natalidade, assim como a de mortalidade infantil, é das mais altas das Antilhas e a expectativa de vida é baixa. Os índices de crescimento são semelhantes à média dos países caribenhos e mais baixos do que a dos países latino-americanos em geral.
A agricultura é a atividade econômica que ocupa maior número de haitianos, seguida da pesca. O potencial agrícola é amplo em variedade e quantidade, mas um grave problema é a degradação das zonas florestais, provocada pela ampliação das áreas de cultivo, e a plantação de espécies de crescimento rápido provocou a erosão de solos férteis em algumas regiões.
A cultura mais importante é a do café, seguida da cana-de-açúcar. No vale do Artibonite se cultiva arroz, alimento básico da população. São importantes ainda as culturas de cacau, algodão, fumo, mamona e campeche. Na zona sul se cultivam plantas para a extração de óleos aromáticos. Os produtos de maior consumo interno são arroz, mandioca, batata-doce, milho, inhame, feijão e frutas (pêssegos, figos, morangos, mangas e bananas).
O gourde é a moeda nacional. Além do Banco Central, emissor da moeda, outros bancos estatais financiam diversas atividades econômicas e fornecem créditos rurais. Funcionam no país diversos bancos privados. A economia está nas mãos de uma pequena minoria, que controla as exportações agrícolas e a atividade industrial.
O comércio exterior visa sobretudo o mercado dos Estados Unidos, e secundariamente França, Itália e Alemanha. O maior volume de importações vem do Japão, de outras ilhas do Caribe, da Argentina e da França. Entre as exportações se destacam as manufaturas leves e café. Entre as importações sobressaem manufaturas básicas, maquinaria e equipamento de transportes, alimentos e derivados de petróleo.
A maioria da população se afirma católica, mas na prática a religião majoritária é o vodu, mistura de culto católico com ritos africanos. Há uma minoria de protestantes.
A vida cultural e artística do Haiti foi sempre influenciada pela França. A partir do início do século XX, porém, buscaram-se formas culturais nativas. Georges Sylvain, um dos precursores desse movimento, adaptou em 1901 fábulas de Jean de La Fontaine para o crioulo, sob o título de Cric-crac. Na década de 1920 apareceram La Revue Indigène e o livro Ainsi parla l'oncle (1928; Assim falou o tio), importante ensaio de Jean Price-Mars sobre o rico folclore haitiano. Também destaca-se a obra literária de Jacques Roumain, que exerceu forte influência sobre o teatro, a pintura e a literatura.
A escola haitiana de pintura naïf é famosa e está representada em numerosos museus de todo o mundo. Seus principais representantes são Rigaud Benoit, Wilson Bigaud, Hector Hippolyte e Philome Obin. Porto Príncipe conta com museus de história e etnologia e tem uma biblioteca nacional.
Fonte:
Publicado originalmente no Portal EmDiv.

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