sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Hidrografia da Região Sul do Brasil.

A Região Sul do Brasil possui terras em quatro bacias hidrográficas do Brasil, as bacias do Uruguai e do Atlântico Sul localizam-se totalmente nessa região, partes da bacia do Paraná e uma pequena parte da bacia do Atlântico Sudeste também atingem a Região Sul.
Muitos rios dessa região são caudalosos e amplamente utilizados para produção de energia elétrica, Itaipu, a maior usina hidrelétrica do Brasil e uma da maiores do mundo está nessa região. Alguns rios se destacam, dentre eles: o Uruguai que nasce da confluência dos rios Pelotas e Canoas, faz divisa entre os estados de Sta. Catarina e Rio Grande do Sul e delimita os territórios do Brasil e da Argentina, seu curso atinge 2.139 Km, é navegável por uma extensão de 670 Km; o rio Jacuí, no Rio Grande do Sul, corta municípios de Passo Fundo, Cruz Alta dentre outros, no seu vale há culturas de soja e arroz; o rio Itajaí, corta importantes cidades como Blumenau e Itajaí.  
A bacia mais extensa da Região Sul é a do Atlântico Sul, com 188.000 Km², seguida da bacia do Uruguai, com 175.000 Km².

Referência:
ADAS, Melhem; ADAS, Sérgio. Expedições geográficas. São Paulo: Moderna, 2012. p.215. (vol. III).   
_____________________. Expedições geográficas. São Paulo: Moderna, 2012. p.161. (vol. I).  

Indicação de leitura. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Distribuição populacional da China.

A China é o país mais populoso do mundo, possui aproximadamente 1,3 bilhões de pessoas. Dos 56 grupos étnico diferentes a etnia Ha representa aproximadamente 90% da população. A qual não se distribui igualmente pelo território. Notem no mapa.

Distribuição populacional da China. 

Como podemos notar a concentração populacional está na parte leste-sudeste, sendo que a parte centro-oeste e o norte do país são áreas populosas.
Fatores de ordem histórica, natural e econômica influenciaram nessa distribuição populacional.  No vale do rio Hoang-ho, no leste da China, desenvolveu-se algumas das primeiras cidades e das primeiras civilizações.
Localização das primeiras civilizações.

A parte leste-sudeste do território chinês também possui as terras mais férteis e o relevo mais aplainado, enquanto no centro-oeste estão cadeiras de montanhas, destaque para o Himalaia, e no norte encontra-se o deserto de Gobi.
Deserto de Gobi, China. 
Com a criação da ZEEs (Zonas Econômicas Especiais) da China, no final da década de 1970 e início da década de 1980, muitas indústrias se instalaram na região, fator que atraiu muita população para o local em busca de empregos.

Zonas Econômicas Especiais da China. Imagem: Wikipédia. 


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A Revolução Industrial e o urbanismo.


Alguns eventos na história da humanidade são capazes de desencadear mudanças significativas e influenciar toda sociedade por um prolongado espaço de tempo, a Revolução Industrial foi um desses eventos.
Podemos entender a Revolução Industrial como um processo que ainda está em curso, sua primeira etapa ocorre na Inglaterra, no final do século XVIII, devido principalmente às mudanças no campo político e o acúmulo de capital no país que era a maior potência econômica na época1. Ela se caracteriza pelo surgimento de um sistema fabril que aos poucos vai substituindo a força humana e animal pela força das máquinas. A grosso modo, a ciência vai se unindo à técnica, novas máquinas vão surgindo num ciclo de progresso e desenvolvimento tecnológico marcantes na história da humanidade.
Costuma-se dividir a Revolução Industrial em três etapas principais:
1ª, final do séc. XVIII - surgimento da máquina a vapor e primeiros teares mecânicos;
2ª, meados do séc. XIX até aproximadamente meados do séc. XX - desenvolvimento de várias tecnologias com destaque para desenvolvimento da eletricidade, motor de combustão interna, telégrafo, telefone, avião, inovações na química etc.
3ª, a partir de 1970 e ainda em curso - grande destaque para o surgimento e desenvolvimento de tecnologias da comunicação e informação, desenvolvimento de energia nuclear, aperfeiçoamento dos meios de transporte etc.
Mas, como toda dessa mudança influenciou no urbanismo? O urbanismo, entendido como saber e técnica aplicados na elaboração e melhoria do espaço urbano, como Saboyaafirma, nasceu devido principalmente aos problemas trazidos pela Revolução Industrial.
Um dos maiores legados dessa revolução foi o crescimento urbano e com ele problemas como aglomeração irregular de pessoas, falta de saneamento básico, poluição da água, do solo e do ar, devido às fontes de energia, em especial carvão mineral, e ao descarte de produtos químicos de forma indevida, precarização das condições socioeconômicas etc. 
Problemas como esses ocorriam também nas grandes cidades da antiguidade, mas agora, a partir do século XIX, eles se tornaram mais  recorrentes e, pouco a pouco, foram se espalhando pelo mundo a partir da Europa Ocidental.
Foram situações de degradação urbana como essas descritas que influenciaram arquitetos a pensar o espaço urbano de forma mais racional e condizente com as necessidades. Os primeiros urbanistas se preocupavam principalmente com os aspectos físicos das cidadesdas cidades como meios de transportes, localização de prédios, indústrias, praças etc.
Com o tempo as preocupações urbanísticas foram se tornando mais complexas e vislumbrando novas necessidades ligadas à preservação ambiental, com os aspectos histórico-culturais e socioeconômicos que fazem parte do contexto das cidades.        

Notas:
1. Leia mais sobre a Revolução Industrial em História do Mundo.
2. Ver Urbanidades.
3. Posição defendida por Saboya. Ver Urbanidades.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A Geomorfologia no contexto da Geografia.


Geomorfologia e Geografia são ciências afins, abaixo Valter Casseti aborda esse contexto de forma objetiva.

"A teoria geomorfológica edificou-se com nítida vinculação aos campos de interesse da geografia e da geologia. Assume importância ao ser abordada no contexto geográfico, considerando sua contribuição no processo de ordenamento territorial.
Em importante revisão bibliográfica, Abreu (1982) mostra que o problema da pertinência da geomorfologia em relação à geografia, foi tratado em diversas oportunidades, como por Hartshorne (1939), Russel (1949), Bryan (1950),Taylor (1951), Leighly (1955), dentre outros. Wooldridge e Morgan (1946) consideram a pertinência da climatologia e da geomorfologia e de suas aplicações no campo da geografia. Nos anos 60e 70, a geomorfologia passa a ser incorporada ao contexto da crítica teórico-conceitual da geografia, destacando-se aqui os trabalhos de Hamelin (1964), Schmithüsen (1970), Neef (1972) e Kügler (1976), além de outros.
Para Hamelin (1964), a geomorfologia se erige como uma disciplina por meio de sua própria teoria, não interessando em toda sua completude à geografia. Ao admitir a possibilidade de avançar em duas dimensões (geomorfologia funcional e geomorfologia completa ou integral), o autor compreende a geomorfologia como processo: de um lado, no contexto da geociências, devendo ser explorada numa escala temporal de maior magnitude (escala geológica), e de outro, concentrando suas atenções nos fenômenos de duração temporal mais curta, valorizando os aspectos das derivações antropogênicas (escala humana ou histórica). Conclui por uma postura consensual entre autores de língua inglesa e francesa, na qual a geomorfologia se erige como uma disciplina através de seu próprio campo e teoria, não interessando em toda sua extensão à Geografia (Abreu, 1982).
Schmithüsen (1970), ao procurar articular o campo e o conteúdo da geografia, com o intuito de superar o antagonismo geografia física - geografia humana, propõe uma síntese em que a teoria e o método ocupem um lugar central. No “Sistema da Ciência Geográfica” proposto pelo autor, a divisão geografia física - geografia humana não encontra lugar, assinalando que esta dicotomia mais prejudica do que beneficia o verdadeiro campo da geografia”.
A aproximação, ao invés da subordinação, da geomorfologia funcional a uma geografia global, no conceito de Hamelin (1964), resulta da própria tendência naturalista da escola germânica a partir da década de trinta, quando busca uma visão holística. Atribui-se a Tricart & Cailleux (1965) o tratamento do relevo como “unidade dialética” por entenderem sua evolução como o resultado da ação e reação de forças antagônicas, fundamentadas no sistema de referência idealizado por Penck (1924).
Neef (1972), numa abordagem mais geográfica dos componentes da paisagem natural, procura desenvolver uma postura voltada aos interesses da sociedade. "As conclusões que Neef alcança são fundamentais, deixando cristalino que se a geografia quiser atingir uma posição de mérito na resolução dos problemas mundiais, ela deverá aprofundar-se em uma concepção que a transforme em uma ciência ambiental” (Abreu, 1982).
Nessa trajetória Ab'Sáber (1969) sistematiza os níveis de abordagem metodológica em geomorfologia, oferecendo um quadro de referência que valoriza a perspectiva geográfica ao retomar o conceito de “fisiologia da paisagem” usado por Siegfried Passarge (1912). Para Abreu (1982), Ab'Sáber (1969) assume uma postura naturalista dos estudos de geografia física global.
Kügler (1976), ao desenvolver pesquisa e mapeamento geomorfológico na República Democrática Alemã, conceitua, de forma integrada, o relevo e o território, “que se cunham em uma interface extremamente dinâmica, produzindo uma paisagem fortemente marcada pela sociedade e por sua estrutura econômica. Apóia-se indiscutivelmente, na clássica visão alemã das diferentes esferas que se interseccionam e definem uma epiderme de pouca espessura, consubstanciando-se, formalmente, através da paisagem” (Abreu, 1982), de onde emerge o conceito de Landschaftschülle .
O conceito de georrelevo concebido por Kügler corresponde a uma superfície limite produzida pela dinâmica dos integrantes sistêmicos, resgatando o conceito tradicional da geomorfologia alemã. A dinâmica e as propriedades adquiridas são fundamentais para se compreender a forma com que se dá a evolução das propriedades geoecológicas do georrelevo em propriedades sócio-reprodutoras. O uso das propriedades geoecológicas, como suporte ou recurso, reflete a intensidade e modos de uso face aos custos sociais de reprodução.
Kügler (1976) utiliza-se dos eixos tradicionais de evolução da geomorfologia alemã, apoiado em Passarge (1912) e Penck (1924). Ao emergir de um contexto geográfico, a geomorfologia supera a perspectiva dicotômica interna (como a estrutural e climática, lembradas por Abreu, 1982), culminando com a concepção de georrelevo, numa perspectiva paisagística.
A década de 70 pode ser tomada como o marco inicial de uma discussão mais abrangente das questões ambientais, quando aparece a designação geomorfologia ambiental (Simpósio de Bringhauton, 1970), tendo por objetivo incluir o social ao contexto das ampliações geomorfológicas. Os resultados mais significativos considerados por Achkar & Dominguez (1994) aparecem no final da década de 80:
  • nova conceitualização da relação sociedade-natureza, opondo-se à visão dualista uma interpretação monista;
  • no nível aplicado da geomofologia se apresenta o desafio de gerar respostas às questões de natureza ambiental;
  • quanto ao método, a geomorfologia busca uma proposta concreta, vinculada à elaboração de cartas de diagnóstico ambiental, como insumo do ordenamento espacial;
  • a revalorização dos antecedentes da geomorfologia alemã, no princípio do século XX, estabelece uma estreita relação da geomorfologia com a geografia, dada a conceitualização monista da natureza. Não é por acaso que tais conteúdos comecem, com o advento da ecologia, a discutir as relações sociedade-natureza enquanto categorias filosóficas
Embora devam se admitir importantes avanços com relação à perspectiva de uma maior integração entre geomorfologia e geografia, os princípios metafísicos ainda se fazem presentes, chegando ao exagero de se separar o geomorfólogo do geógrafo, atribuindo-se muitas vezes ao último a responsabilidade pela decisão da escolha das variáveis de interesse considerando “sua visão particular” (Casseti, 1996).
Ao se considerar a tendência ambiental numa perspectiva holística3, a geomorfologia peca por desconsiderar os processos na sua integridade, ou seja, a evolução do relevo como fruto das relações contrárias (forças internas e externas), ao mesmo tempo se constituindo substrato apropriado pelo homem enquanto componente de relações sociais de produção com interesses distintos, com reflexos nas propriedades geoecolócias do relevo. A visão holística, embora se caracterize como avanço em relação à postura fragmentária-mecanicista, carece de mudança paradigmática mais profunda, numa perspectiva ecológica4. Tal fato leva conseqüentemente a uma valorização das geociências em detrimento das relações sociais, considerando a proximidade ambiental.
Partindo do princípio de que a base de sustentação teórica para a necessária abordagem ambiental fundamenta-se na dialética da natureza, fica claro que a geomorfologia, ao mesmo tempo em que deve se preocupar com a própria fundamentação teórica (a geomorfologia em si, na visão da “geomorfologia integral” de Hamelin, 1964), carece de uma rediscussão epistemológica, em busca de uma “geografia total”. Apropriando-se da concepção de dialética da natureza recuperada por Branco (1989), torna-se necessário pensar dialeticamente para apreender as novas paisagens da fisis5 (objetos disciplinares unidos por um traço comum: a “dialeticidade”). Essa compreensão só se torna possível ao resgatar o conceito de natureza.
Como se sabe, a externalização da natureza6 configura o núcleo do programa da modernidade gestado no iluminismo. Tem-se, portanto, o homem como “senhor e possuidor da natureza”, legitimando a apropriação privada dos meios de produção, base de sustentação do sistema capitalista. Com base no princípio da externalização promovem-se as diferentes formas de alienação, o “desencantamento do mundo”, o que permite a apropriação espontaneísta e dilapidante da natureza, além do evidente antagonismo de classes sociais. Significa, portanto, que para compreender a natureza em sua integridade, numa perspectiva dialética, torna-se imprescindível compreender além das relações processuais (contribuição da geomorfologia em si), as relações de produção e suas forças produtivas, sem desconsiderar as implicações da superestrutura ideológica, responsável pela preservação das diferentes formas de alienação (o necessário traço comum para a união dos objetos disciplinares), culminando com a apropriação espontaneista do utilitarismo.
Compreender a dialeticidade da natureza significa compreender a unidade entre o processo histórico natural e a história do homem, o que permite concluir que o processo do pensamento é, ele próprio, elemento da natureza: o movimento do pensamento não está isolado do movimento da matéria, o que se contrapõe ao dualismo psico-físico descarteano – substância pensante e substância meramente extensa – que fundamentou o princípio de que a natureza interna está dominada em prol da dominação da natureza externa (Casseti, 1996).
Conclui-se que preocupar-se com a perspectiva ambiental em geomorfologia significa preocupar-se com a compreensão dialética da natureza, numa visão de Engels, o que demonstra ser responsabilidade de todos, em busca da unidade que tem sido entendida de forma parcial."

Fonte: CASSETI, Valter. Geomorfologia. [S.l.]: [2005]. Disponível em:http://www.funape.org.br/geomorfologia/index.php. Acesso em: 29/07/2016.

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